MACEI - Zlia Maciel, prima de Susana Marcolino, mudou ontem o seu depoimento sobre a compra do revlver que teria sido usado no assassinato de Paulo Csar Farias. Esta  a terceira vez que Zlia muda o seu depoimento, que continua recheado de contradies. Agora, ela diz que a prima, no dia 14 de junho, fez um teste de gravidez pela manh, antes de passar por dois lugares para tentar comprar uma arma. Num desses lugares, Susana tambm fez tiro ao alvo e, agora, Zlia diz ter ouvido os disparos. Outra novidade: Zlia diz que o resultado do teste de gravidez, feito no mesmo dia, foi positivo.

Para sustentar o novo depoimento, Zlia apresentou ao delegado Ccero Torres uma lista com cinco novas testemunhas. As testemunhas, porm, s confirmam parte de seu depoimento. Alguns detalhes, como horrios e a motivao para a compra da arma, so conflitantes. A informao de que Susana estaria grvida foi rebatida pelo diretor do Instituto Mdico Legal de Macei, Marcos Peixoto.

Gravidez - Marcos fez a autpsia dos corpos de PC Farias e Susana e tambm  o mdico responsvel pelo laboratrio do Hospital do Sesi, onde o exame de gravidez foi feito. "Eu fiz a autpsia. Susana no estava grvida e no tinha feito aborto recentemente", afirmou. O hospital encaminhou o resultado do teste para a polcia.

O advogado de Zlia, Roberto Marques, disse que sua cliente decidiu "falar tudo o que sabia", depois de uma conversa com ele no domingo. Segundo Roberto, Zlia omitiu alguns detalhes, na primeira verso, para no prejudicar "parentes e amigos". Zlia contou que a arma foi vista na bolsa de Susana, no salo de beleza Liui's, no dia 17. A dona do salo, Rosa Maria, nega ter visto. Confirma que Susana disse ter comprado um revlver e que fazia curso de tiro.

Hoje, o delegado Ccero Torres dever convocar Zlia e Mnica Calheiros - que vendeu a arma para Susana - para uma acareao. O primeiro depoimento das duas era conflitante. Mnica sustentava que Susana fez tiro ao alvo nos fundos da Churrascaria Casaro, onde foi feita a transao. Zlia disse que no ouviu os disparos. Agora, diz ter ouvido.

De acordo com o novo depoimento, Susana acordou bem cedo, no dia 14. Estava determinada a comprar uma arma, que seria dada de presente  sua me, Maria Auxiliadora. Saiu com Zlia s 7h. Depois do teste de gravidez, procurou o amigo Adelmo, que tinha uma arma. No o encontrou. Susana, ento, resolveu pedir ajuda de outro amigo, Josias Teixeira Santos, supervisor de vendas da Importadora Veculos. Segundo Zlia, a revenda seria de PC Farias.

Conselho - Josias disse que Susana deveria ir a uma loja para adquirir a arma e as levou para a Colt 45. Estava acompanhado de um amigo identificado apenas por Joaquim. Susana no comprou a arma, segundo Zlia, mas comprou munio. De l, foram para um stio no bairro de Benedito Bentz - subrbio de Macei -, para testar a arma de Adelmo. Estava chovendo, e Zlia ficou no carro. Susana fez teste de tiro e no gostou da arma. De l, ligaram para Mnica Calheiros que, em 15 minutos, retornou a ligao dizendo que tinha uma arma para vender.

Pela verso de Zlia, elas chegaram em Atalaia por volta das 17h. S depois de efetuar o pagamento  que Susana pediu para testar o revlver. Mnica apontou para os fundos da churrascaria. "Minha cliente ouviu os disparos", disse o advogado Roberto Marques. Susana e Zlia voltaram para Macei por volta das 18h. Foram ento ao salo Liui's, no bairro do Farol.

Quanto ao teste de gravidez, Zlia no teve acesso ao resultado. Disse que, na semana que antecedeu a morte de Susana, a prima recebeu um telefonema de sua mdica confirmando o resultado positivo. "Zlia disse que Susana no esboou reao nem disse o nome do pai da criana", afirmou o advogado. Segundo os Farias, Paulo Csar era vasectomisado.
